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O primeiro livro a gente nunca esquece. O primeiro lido: “Olhem para mim, eu me chamo Lili.” O primeiro escrito: “Aninha era uma joaninha toda amarela” O primeiro “editado”: “Uma vida encantada”
Eu já conhecia a Taísa, tinha freqüentado a mesma escola que os meus filhos. Reencontrei-a no ano passado, depois que um amigo me ligou: “a Taísa escreveu um livro e quer publicar, você dá uma força?”. Sentei com ela e com a psicopedagoga dela, a Débora, e toca a rever o texto, bolar o formato do livro, pensar na cor, e coisa e tal. A Taísa fez ilustrações para cada capítulo, escolhemos cor da capa (rosa) e do miolo (marfim), outra amiga correu atrás de patrocínio, fizemos o livro, impresso longe de gráficas tradicionais e de editoras interessadas em dinheiro fácil. Primeira tiragem: 100 exemplares.
Semana do lançamento: jornais e tvs deram a maior força, matérias e mais matérias simpáticas, chega a noite do lançamento e o teatro lota – literalmente lota, com gente em pé. Muitas famílias com os filhos, já adultos ou bebezinhos. A gente resolve colocar logo os livros à venda, pra não atrapalhar a cerimônia, em que houve até uma entrevista da Taísa, com um dos jornalistas mais conhecidos da cidade transformado em mestre de cerimônia. Livros à venda, um susto: os 100 exemplares sumiram, evaporaram em menos de 15 minutos. Fizeram uma lista de espera, para a próxima tiragem: mais 80 vendidos! Isso, numa cidade onde a média de venda em lançamentos não chega aos 40.
Mas aquela noite no teatro do SESC em S. José do Rio Preto não foi marcada pelo recorde de venda. Claro que foi estranho o Roberto Toledo, ícone da TV e do rádio da região, abrir o evento anunciando que não tinha mais livro à venda, tudo esgotado. Mas marcante mesmo foi ver a cara feliz e emocionada de quem estava lá. Ver a Taísa no palco, com seu sonho realizado. Os textos que ela escrevia, tentando lidar com o preconceito na escola, tinham se transformado mesmo em livro. Nada mal para uma menina de 16 anos que, por um acaso genético, tem Síndrome de Down.
“Uma vida encantada” é a história dessa menina (já com tiragem nova...). De um ângulo que pouca gente conhece. Down foi diagnosticada há décadas, é uma das síndromes mais comuns de se ver no dia a dia, e é o cartão de visita das escolas que pregam inclusão. Psicólogos, psiquiatras, educadores, todos os sábios do templo já pontificaram a respeito de Down. A Taísa conta, no livro, algo que estes sábios todos nunca foram capazes de nos contar: o tamanho da dor pela discriminação, o tamanho da fé em uma vida melhor... Se quiser saber mais sobre “Uma vida encantada”, acesse aqui.
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