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Estou trabalhando em um livro, o primeiro do Clóvis Silva. Um romance traçando um paralelo entre o Zé Preto, um homem à procura da redenção, e o Rio Preto, que banha estas terras de São José.
No dia em que recebi os originais dei as melhores gargalhadas até agora deste 2009. Os causos do Clóvis são uma delícia, contados numa linguagem simples, à altura dos grandes contadores do meu passado. Teve um deles, “Paletó sem bolsos”, que me fez pegar o telefone e ligar pros irmãos em Minas, pra rirmos juntos.
Fico feliz em poder ajudar a tentar manter vivas estas singelezas que andam cada vez mais espantadas pelos modernismos. Ai, ai, me cansa tanto a literatura pretensiosa, da obrigação de inventar, de transformar o que seria uma boa história em um caos. Me cansa a produção em série dos bestsellers, o garimpo das editoras jogando ouro fora e nos enganando com pirita. É um prazer imenso conhecer estas pepitazinhas despretensiosas, que existem por si só, sem precisar de grandes avais.
O livro do Clóvis me faz lembrar de oratórios, suores saudáveis no cabo da enxada, molecagens inocentes, histórias no pé do fogão, e me enche de saudades de avôs (a benção, sô Chiquinho, a benção, sô Iraci) e de passados.
Acho sempre que o melhor da vida ainda está por vir. Por isso faço questão de encher minha capanga com amostras do que de bom já houve, pra ajudar a melhorar ainda mais o futuro.
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