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Acabo de ler uma crônica da Malluh (clique aqui pra ler também) que me fez lembrar de duas coisas. Primeiro, um livro do Nick Hornsby, “31 canções”, sobre o qual já falei aqui. Tem muita coisa desconhecida pra nós aqui, entre as bandas e músicos que fizeram a cabeça deste britânico. Mas o Nick inclui Dylan, Led Zeppelin, Santana, Rod Stewart, Beatles, Patti Smith... Portanto, universal.
O livro é de 2005. Ou seja, tem pelo menos quatro anos que eu tento escrever algo igual, mesmo que com um número menor no título, algo tipo “9 canções”. Não consigo porque nunca chego a um consenso comigo mesmo sobre qual a minha lista definitiva. Se for pensar numa primeira infância, com certeza a lista vai incluir “Índia”, com Cascatinha e Inhana, “Cantinho do céu” (“lá no cantinho do céu sonho que está me esperando aquele alguém que foi meu”, que segundo o Google é de Duduca e Dalvan, que não tenho a menor idéia de quem sejam) e “Colcha de retalhos”, também de Cascatinha e Inhana (“Agora na vida rica que estás vivendo / Terás como agasalho colcha de cetim / Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo / Tu hás de lembrar da colcha e também de mim”).
Se você nunca nem ouviu falar delas, com certeza nasceu depois dos anos 70 ou 80 do século passado. Mas no início dos anos 60 estas três eram hits garantidos, pelo menos lá em casa. Mamãe as usava como uma espécie de aboio pra acalmar a meia dúzia de filhos inquietos. À tristeza imensa das letras e melodias, ela de vez em quando juntava uma frase desesperançada, tipo “não agüento mais, vou voltar pra Rio Manso”, que era a terra natal da coitada. Aí, amansava tudo, os mais sensíveis saiam pra chorar pelos cantos, os outros iam ajudar na rotina da cozinha e na limpeza da casa, ou trocar por carinho os cascudos que há pouco davam nos mais novos. Ê vida! A primeira história do livro, então, poderia ter como título a mistura dos três nomes, algo como “Lá no cantinho do céu, uma índia enrolada em uma colcha de retalhos”...
Deixa eu parar por aqui, que exagerei, bateu saudade e dor, e nem lembro mais da outra coisa que a crônica da Malluh me trouxe à cabeça.
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