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O Vitrine nasceu quase junto com a FLIP. Um pouquinho antes, porque deu tempo de eu postar aqui alguma coisa, esperançosa, dizendo que no próximo ano eu estaria “ao vivo” de lá. Não cito datas nem nomes, há um bom tempo.
Datas, porque fatalmente vou errar. Nomes? Nesta época de ditadura politicamente correta, tenho medo até de citar Tio Zezinho, um parente lá de Itaguara, que voltou pra terrinha depois de passar anos em Goiás (um filho dele, o primeiro de um casal, ganhou o apelido de “Goiano”, e arrasava como o centurião nas encenações bíblicas entre os gólgotas mineiros). Dia desses uma parente recente dele, que eu nem sabia que acessava internet, veio me tirar satisfações por ter citado uma frase célebre dele (não vou re-citar porque vá lá que eu esteja sub judice).
Enfim... Médici costumava ser mais compreensivo. E Figueiredo tinha razão sobre o cheiro de povo & cavalos. Os segundos andam cheirando bem melhor, apesar da avon (ups). Povo nenhum, em sã consciência, gastaria assim tanto produto com cavalo.
Mas aí recebo uma newsletter do FLIP (todo ano digo que vou pedir pra pararem com isso, e esqueço). Uma das atrações do Festival deste ano é um peruano (!), descendente de asiáticos (sem preconceito, apesar do Fujimori), que criou uma revista chamada Etiqueta Negra, e que vem aqui falar sobre perfis jornalísticos. Sim, importaram o Julio Villanueva Chang pra vir aqui falar sobre perfis jornalísticos. Sim, o Chang vai revisitar “Sinatra está resfriado”, perfil que o Gay Talese escreveu séculos atrás.
Quem é o Sinatra? Talese? "Gentem", como diria aquela mulher que disse que apanhou do ex-marido (lembro do nome dele, o... o ... o... ah, deixa pra lá). Pereio? Ciça? Quem, Tizezinho?
Enfim, estão abertas as inscrições para a oficina com o Chang. Tem uma ressalva, no e-mail. É preciso ser fluente em espanhol, porque as sábias palavras dele não serão rebaixadas ao português, simultaneamente. Acho que deve lotar. Povo cheiroso vive disso: etiquetas, grifes... Conheci aqui uma poetisa, que apesar de ter que aprender muito ainda daria de dez no fodão da oficina de uma FLIP de 3 anos atrás, que achava o máximo ter participado da tal oficina. Merecem, os dois...
Pra encerrar, duzentas ou trezentas palavras.
A FLIP é um genérico da literatura. Vende – e faz – grifes passageiras. O perfume dela é igual aos paraguaios, não tem fixador: dois minutos depois você já nem sente nada, a não ser que carregue um diploma das oficinas. Neste caso, você continuará a sentir um cheirinho bom, onde quem ama literatura sente um ranço pesado.
Segundo, viva as crônicas da Malluh Praxedes (chamem ela, chamem ela!), que volto a publicar aqui com um imenso pedido de desculpas: os maiores filhos da puta são os amigos. Com exceção, claro, dos que se contentam com uma releitura de Gay Talese em versão sino-peruana.
“Sinatra está resfriado”. Sorte dele. O cheiro está horrível.
Vem, “Goiano”, me trespassa com sua lança... Eu mereço (ai, ui, como diria a Veja, endeusando uma nova visão do mundo).
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