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A entrevista de Autran Dourado na Ilustrada de 30 de julho está tão boa que dá vontade de copiá-la na íntegra aqui. Parabéns ao Julián Fuks (que não tem deixado a gente sentir saudades do Cassiano Elek Machado, que saiu há meses da Folha) e obrigado à Ana Carolina Fernandes pelo empréstimo compulsório da bela foto (se não concordar com o uso, avisa que a gente tira). Mas voltemos ao Autran: mineiro de Patos de Minas, 79 anos, 23 livros que serão todos relançados até o final do ano (entre eles os consagrados Ópera dos Mortos e O Risco do Bordado) ganhou o Prêmio Camões de Literatura em 2000. Vive hoje no Rio, acompanhado de livros, mal de Parkinson e uma capacidade rara de desmistificar literatura. Veja como: “Quando o autor está começando a escrever, não pode pensar em ninguém. Nem em outros autores nem em seu público, porque sequer consegue saber quem é seu público. O escritor é aquele solitário. Eu não sei qual é meu leitor e não me submeto à posição de procurá-lo. É por isso que vejo com certo escândalo o que está acontecendo no Brasil: pessoas jovens que se iniciam na literatura e querem logo vender livro. Têm vocação de best-seller. São fabricantes de livro, e o livro que você vê não resultou de nenhum esforço maior, não correu nenhum sangue por ele. Isso não é ser escritor. Vender livro é um acidente na vida de um escritor.” “Você é destinado à literatura, e não a literatura a você. Escrever é uma imitação. A gente escreve feito um menino que vê o livro como um brinquedo e pensa "ah, eu quero um". Quando eu li pela primeira vez "Dom Casmurro", eu disse "puxa, eu quero o meu". "Há na palavra inspiração uma certa traição. Eu prefiro "idéia súbita". Quando me vem uma idéia súbita, eu a cultivo até encontrar a forma do romance.”
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