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Em tempos de tanta roubalheira descarada, de tanta podridão política, fica estranho lembrar que já houve época em que até militares preocupavam-se em disfarçar um pouquinho as safadezas – aliás, minúsculas safadezas, perto do que o pt andou aprontando. Sim, já houve essa época, de ditadores preocupados um pouquinho com sua aparência. E que ministros - dizem - contentavam com 10 por cento de comissão.
Um dos grandes maquiadores dos males da ditadura foi o Amaral Netto – ou Amoral Nato, como preferiam alguns. Era um jornalista (ia colocar aspas, mas me lembrei que ele era até mais honesto – mal comparando – que boa parte dos que andam por aqui hoje) a serviço descarado do governo militar. Tinha um programa pautado pelos milicos, para enaltecer as belezas do Brasil Grande. Amaral Netto foi o responsável por, entre outras grandes, apresentar pro resto do país a pororoca, o encontro das águas do Amazonas com o mar.
E daí? Lembramos do Amoral porque estão ressuscitando uma outra figura polêmica daquele tempo: Flávio Cavalcanti. Apresentador de TV por mais de duas décadas (entre 50 e 70), protagonizou muitas histórias famosas. O filho dele, Júnior, está prometendo para setembro um livro “esclarecedor”. Olha, deve valer a pena ler.
Aliás, o Brasil lê muito pouco sobre si mesmo. Qual será o percentual de brasileiros que tem consciência da história política deste país nos últimos 60 anos? Quem foi quem, quem é o quê? Carlos Lacerda, por exemplo, era um pulha ou um visionário? E JK? Renovou ou entregou o país?
Não deve ter, incluídos aí professores, 10 mil brasileiros que saibam de onde vieram. Se mais de nós soubéssemos disso, seria mais simples decidir para onde este país vai, em vez de deixar a decisão não mão da canalha de sempre.
Aliás, a ditadura foi responsável por grandes males. Um deles, horrível e raramente citado, foi que ela nos levou a odiar a direita (que o tempo mostrou ter grandes nomes) e a venerar a esquerda (que a gente soube depois ser, na maioria, um bando de safados). Deu nisso que taí.
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